
Partindo do desafio em conjugar a valorização da expressão simbólico-ritual da fé cristã com a dimensão profética e existencial da liturgia, Buyst reflete a redescoberta da Ritualidade; a dimensão ritual e existencial da liturgia; a ação ritual como expressão de fé; a liturgia como realidade teologal; e primeira e necessária fonte de espiritualidade; e a formação litúrgica integral, que aponta para o ser humano como um todo. Dentro dessa abordagem Buyst define o Sacramento como “um sinal sensível de uma realidade invisível e que realiza aquilo que significa”3 Dessa forma concebemos a definição exata de Sacramento como "Um sinal visível e eficaz da graça, instituído por Jesus Cristo, para nossa santificação".
Dessa forma Pinto nos apresenta uma definição plausível referente ao termo ‘mistério’ quando busca na etimologia de origem grega: ‘mysterion’ e é traduzido no latim para ‘mysterion’. O termo grego ‘mysterion’ deriva da sua raiz comum aos verbos myo (fechar) e myeo (iniciar) e do substantivo myster que significa iniciador ou mistagogo 4“.
Interpretando dessa forma o termo sacramentum exprime mais o sinal visível de uma realidade escondida da salvação. Assim podemos dizer que Cristo é Mistério da Salvação.
O ponto de partida desta explicação é a história da salvação enquanto apresentada com acontecimentos salvíficos – mysteria – repactuados nos sacramentos cristãos. Por isso, o Batismo e a Eucaristia são os primeiros e fundamentais mysteria. O dicionário de liturgia fala que os padres da Igreja se detiveram em analisar o que se passa no mystérion ou sacramentum procurando salientar a realidade e salvação que acontece quando a Igreja o realiza, uma procura do conteúdo de fé e salvação. Mais tarde, Ambrósio de Milão reservará o nome de mystérion ou sacramentum para os acontecimentos cultuais de maior importância e buscará numa síntese destes acontecimentos. Os sacramentos surgem como os grandes momentos de salvação da comunidade cristã visível que, por sua vez, aparece como sendo formada pelos sacramentos, nos quais atinge o cerne mesmo da salvação. Eles constituem simultaneamente realizações da Igreja e para a Igreja. Eles acontecem como Igreja e não apenas na Igreja.
O dicionário de Liturgia vem de encontro com o que pensamos quando exorta:
“Os Sacramentos são sinais eficazes de Salvação de Cristo; são de fato a sua atuação no ‘tempo da Igreja’. Para sua compreensão é necessária a visão exata do valor soteriológico de Cristo, da posição da obra salvifica de Cristo na história da salvação enquanto ‘dimensão temporal’ de atuação de desígnio divino sobre o homem”5.
Usamos o termo “sinal”, que hoje é o mais comumente usado quando se trata dos sacramentos, sobretudo porque ele introduz até certo ponto a ideia de que os sacramentos pertencem à esfera das “realidades simbólicas”, de que a religião, em todos os tempos e em todos os lugares, mesmo em diferentes níveis, sempre serviu e até hoje se serve. Hoje, o sinal não somente é revalorizado, em contraposição a atitudes críticas dos últimos séculos, mas é muito estudado, porque constitui um dos caminhos que melhor abrem à compreensão da religião em geral e de cada uma das expressões e formas religiosas em particular.
Reconhecemos a essência Sacramental nas diversas realidades, reconhecendo seus elementos comuns e diferentes. Isto significa a manifestação da visibilidade histórica do dom invisível da graça de Deus.
O Concílio Vaticano II utiliza o termo Sacramento no sentido mais amplo como podemos conferir a seguir:
“Está presente com o seu dinamismo nos Sacramentos, de modo que, quando alguém batiza, é o próprio Cristo que batiza. Está presente na sua palavra, pois é Ele que fala ao ser lida na Igreja a Sagrada Escritura. Está presente, enfim, quando a Igreja reza e canta, Ele que prometeu: «Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles”6
Retomando a definição do Catecismo diz que "Sacramento é um sinal sensível, instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo, para produzir a graça em nossas almas e santificá-las." Partindo dessa definição resulta que três coisas são exigidas para constituir um sacramento: Ele deve ser "Um sinal sensível", representativo da natureza da graça produzida. Deve ser "sensível" porque se não pudéssemos percebê-lo, deixaria de ser um sinal. Este sinal sensível consta sempre de "matéria" e de "forma", isto é, da matéria empregada e das palavras pronunciadas pelo ministro do Sacramento.
Não obstante, deve ser "instituído por Jesus Cristo", porque só Deus pode ligar um-sinal visível a faculdade de produzir a graça. Nosso Senhor, durante a sua vida mortal, instituiu pessoalmente os sete sacramentos, deixando apenas à Igreja o cuidado de estabelecer ritos secundários, realçá-los com cerimônias, sem tocar-lhe na substância.
"Para produzir a graça". Isto é, distribuir-nos os efeitos e méritos da redenção que Jesus Cristo mereceu por nós, na Cruz... Os sacramentos comunicam esta graça, "por virtude própria", independente das disposições
3 BUYST, Ione. O Segredo dos Ritos, Ritualidade e Sacramentalidade da Liturgia Cristã. São Paulo: Paulinas, 2011, p. 33
4 PINTO, Cristiano Marmelo. Celebrar o matrimonio hoje: Caminhos para uma preparação Litúrgica ao casamento. São Paulo: Palavra & Prece,2012. P. 108
5 SARTORE Domenino e TRIACCA Achille M (Org.) Dicionário de Liturgia. São Paulo: Paulus, 199, pg 1058
6 BECKAUSER, Alberto. Sacrosanctum Concilium. Texto e comentários. Ed. Paulinas, São Paulo: 2012 p. 25


ConversionConversion EmoticonEmoticon